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quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Entrevista à Coordenadora de Estabelecimento

 


Mercês Fernandes é coordenadora de estabelecimento, na Escola Básica número um da Lousã, onde é professora

 - Como se chama?

- Mercês Fátima Gomes Jardim Fernandes.

- Onde nasceu?

- No Funchal (Madeira).

- Onde vive?

 - Em Serpins.

- Que funções desempenha? 

- Sou professora e coordenadora de estabelecimento.

- Gosta da sua profissão? Há quantos anos exerce?

- Gosto muito. Sou professora há 35 anos e coordenadora, há 10.

- Quais são as suas funções como coordenadora?

- Coordenar as atividades educativas, monitorizar o cumprimento do Plano Anual de Atividades, transmitir as informações relativas ao pessoal docente e não docente e aos alunos. Resolver todos os problemas dos alunos, servindo de moderadora e reunir com os encarregados de educação. Além disso, tenho de gerir as instalações, espaços e equipamentos. Todos os problemas que não podem ser resolvidos por mim, são encaminhados para o Diretor.

- O que a inspirou a ser coordenadora?

- O cargo de coordenadora é um convite que o Senhor Diretor do Agrupamento faz. Antes já era coordenadora, mas era com a outra Diretora do Agrupamento.

- Quais são as maiores dificuldades de ser coordenadora?

- As intrigas entre os alunos, sem motivo, e também as intrigas entre adultos. A parte das relações humanas é sempre a mais complicada!

- Qual foi a coisa mais engraçada que viu como coordenadora?

- Existem muitas situações, umas mais engraçadas, outras embaraçosas, mas (sobre estas) não vou nomear nenhuma. Uma das coisas engraçadas é encontrar os filhos de antigos alunos. 

- O que faz, no seu dia a dia, como coordenadora?

- O dia a dia é sempre muito movimentado, com muitas situações para resolver. Além disso também sou professora, também tenho de dar aulas a duas turmas. Como temos três ciclos de ensino, a sala mediadora de aprendizagem e a unidade de multideficiência, há sempre muitas coisas para fazer!


Daniela e Inês (8.º G)


sábado, 11 de novembro de 2023

Entrevista a Carlos Rodrigues, porteiro na Escola Básica Nº 1

Carlos Rodrigues, porteiro da EB Nº1 da Lousã; Foto: Joana e Indira do 8ºG

Carlos Manuel Bento Rodrigues tem 59 anos e mora na Lousã. Trabalha como porteiro, no Agrupamento de Escolas da Lousã, há cerca de 30 anos.

- Senhor Carlos, o que nos pode contar sobre a sua família?
R: Tenho mulher, um filho e dois irmãos.

- O que faz nos seus tempos livres?
R: Faço desporto, tenho aves e também passeio.

- Onde fica o seu posto de trabalho?
R: Na portaria da Escola Básica número um da Lousã.

- Sempre quis ser porteiro?
R: Sim. Passo mais tempo na portaria, mas também faço outras coisas na escola.

- Considera o seu trabalho interessante? O que é mais difícil?
R: Sim, é interessante. O mais difícil é controlar a saída e a entrada de todas as pessoas da comunidade escolar.

- Se pudesse, o que gostava de melhorar no seu trabalho?
R: As condições de entrega das crianças do primeiro ciclo. É o trabalho mais difícil!

- Não sei se quer responder, mas gosta de trabalhar com crianças?
R: Sim, gosto!

Joana e Indira, alunas do 8ºG

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Entrevista a Graça Santos, funcionária do bufete na Escola Básica Nº 1

Graça Santos, funcionária do Bar da Escola Nº 1 da Lousã; Foto: Diogo e Óscar do 8ºG

Graça Santos é uma das assistentes que trabalha no bufete da Escola Básica Nº1. Já trabalha no “bar” das escolas há 18 anos, mas também desempenha outras funções. É natural da Lousã, fez estudos até ao 6.º ano. Gosta muito da sua profissão. O aspeto mais negativo do trabalho é quando se está sozinho.


- D. Graça, pode dizer-nos o seu nome completo?

- Graça Maria Figueiredo dos Santos.


- De onde é natural?

- Da Lousã.


- Que estudos tem?

- Tenho o 6º ano.


- Há quantos anos trabalha no bufete?

- Já trabalho, no “bar” das escolas, há 18 anos, mas também desempenho outras funções na escola.


- Quais são as principais dificuldades no seu trabalho?

- Quando se está sozinho.


-  Como aspeto positivo, o que destacaria do seu trabalho?

- Gosto muito da minha profissão. Gosto muito de trabalhar no Bar.


Diogo e Óscar, alunos do 8ºG                                                            

Entrevista a Nuno Marques, professor de Educação Física


Nuno Marques, docente de Educação Física; Foto: Pedro e Tiago do 8ºG



Professor de Educação Física na Escola Básica n.º 1, Nuno Marques considera a sua profissão bastante gratificante. Quer contribuir para que os alunos se sintam capazes e confiantes, de modo a conseguirem conquistar o que querem na vida. 



- Como se chama?

- Nuno Marques.


- É natural de onde?

- Ovar.


- Sempre quis ser professor? Se não, por que desistiu?

- Não, queria ser cirurgião, mas a média era muito alta. Então acabei por escolher ser professor, porque tenho uma grande paixão pelo desporto.


- Qual a sua opinião sobre o seu trabalho?

- É uma profissão bastante gratificante pela relação que criamos com os alunos.   


- Que modalidade prefere?

- Prefiro tudo o que seja desportos coletivos.


- O que pretende transmitir aos seus alunos?

- Mais do que os conteúdos da minha disciplina. Quero transmitir aos meus alunos que se sintam capazes e confiantes para conquistarem tudo o que querem na vida.  


- O que gosta de fazer nos seus tempos livres?

- Praticar desporto, ler e estar com os meus filhos.


Pedro C. e Tiago, alunos do 8ºG

Entrevista a Lurdes Serra, assistente de ação educativa na Escola Básica Nº 1

Lurdes Serra, assistente de ação educativa, EB Nº1 da Lousa; Foto: Guilherme e Indira

Lurdes Serra é assistente de ação educativa, na Escola Básica n.º 1, e coordena o trabalho dos colegas. Durante 23 anos, desempenhou as funções de assistente operacional nas bibliotecas. É natural de Vila Nova de Ceira.

- Como se chama?
- Maria de Lurdes.

 - De onde é natural?
 - Sou natural de Vila Nova de Ceira, concelho de Góis.

- Sabemos que vive em Serpins. Cresceu ali ou o que a atraiu para lá?
 - Foi o casamento. Casei com uma pessoa de Serpins e, depois, fui para lá viver.

- Tem algum hobby ou pratica algum desporto?
- Gosto de ler, de andar na natureza e de andar de bicicleta.

- Sabemos que trabalhou na biblioteca, mas que, agora, cumpre outras funções. Há quantos anos trabalha, neste estabelecimento de ensino, como assistente de ação educativa e com a responsabilidade de coordenar o trabalho dos colegas?
- Há seis anos.

- No seu trabalho, quais são as maiores dificuldades?
- A falta de pessoal, ter pessoas suficientes para desempenhar as funções, para tudo funcionar normalmente, essa é uma das dificuldades. Também não é fácil gerir pessoas. Tem de haver um equilíbrio. Temos de saber ouvir e dar apoio quando é necessário, pelo que as pessoas, às vezes, vêm ter comigo para uma palavrita.

Guilherme e Indira, alunos do 8ºG

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Entrevista a Luísa Simões, assistente na Biblioteca Escolar

 

Luísa Simões, assistente na Biblioteca Escolar;   Foto: Ana Rita

Luísa Simões tem 58 anos, é casada, tem 3 filhos e 2 netos, vive na Póvoa da Lousã, estudou na Escola da Lousã e trabalha na biblioteca da Escola Básica n.º 1 da Lousã.

Trabalha há 27 anos na escola; na biblioteca, há 2 anos. Gosta muito do seu trabalho, principalmente, do contacto com os meninos e as meninas.


- Como se chama?

- Luísa Maria Sêco Simões.


- É casada?

- Sim, sou casada.


- D. Luísa, tem filhos?

-Tenho três filhos e dois netos.


- Onde vive?

- Vivo na Póvoa da Lousã.


- E onde estudou?

- Estudei na Escola da Lousã.


- Qual é a sua profissão?

- Sou assistente operacional, estando a exercer funções na biblioteca da Escola Básica n.º 1 da Lousã.


- Há quantos anos trabalha neste espaço?

- Trabalho há 27 anos, na escola, e, na biblioteca, há 2 anos.

 

- O que mais gosta no seu trabalho?

- Gosto muito do meu trabalho, principalmente, dos meninos e das meninas.


- Que dificuldades encontra?

- Encontro dificuldades, porque estou a trabalhar, na biblioteca, há pouco tempo, mas também por não saber muito bem aceitar a falta de respeito e de educação de alguns alunos. Contudo, serão mais um desafio do que dificuldades.


Ana Rita, aluna do 8ºG

Entrevista a Sílvia Leal, docente da Educação Especial da Escola Básica Nº1 da Lousã

 Sílvia Leal, docente da Educação Especial; Foto: Diana e Verónica do 8ºG

Sílvia Leal é professora de Educação Especial, na Escola Básica Nº1 da Lousã. Adora o que faz, tem um gosto muito grande por saber que está a ajudar crianças com características diferentes e espera que elas, um dia, consigam ter uma vida como as outras e quer que se sintam sempre amados.
- Como se chama?
- Eu chamo-me Sílvia Leal.
- Onde nasceu?
- Nasci na maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, cidade onde passei a minha juventude.
- Antes de escolher a área em que agora trabalha, já tinha pensado em trabalhar nela?
- Eu não sabia o que queria ser. Era aquela pessoa que pensava que tinha jeito para tudo!
- Qual era o curso que pensava escolher?
- No início, pensava que queria seguir Sociologia.
- Qual é a sua profissão?
- Eu tirei o Curso de Educadora de Infância. No curso, tinha uma cadeira de Educação Especial e comecei a interessar-me por este assunto.
- E quais são as funções que desempenha?
- Temos as funções de consultores de diretores de turma, isto é, de ajudar a tomar a decisão sobre as medidas de promoção do sucesso escolar e de dar apoio a alunos de medidas seletivas e adicionais.
- Há quantos anos trabalha nesta unidade?
- Eu trabalho há 22 anos em Educação Especial, mas, nesta sala, há 5/6 anos.
- O que acha mais difícil na sua profissão?
- O que eu acho mais difícil, no meu trabalho, não tem a ver com os alunos. É mais com os adultos, porque há pouca solidariedade e vontade de ajudar estas crianças com características diferentes.
- Quer contar alguma história que já aconteceu com a professora ao longo do seu tempo de trabalho?
- Eu tenho várias histórias, mas o que eu mais quero salientar é que “devemos sempre acreditar e ser positivos”.

Diana e Verónica, alunas do 8ºG

Entrevista a Madalena Duarte, chefe de cozinha da Escola Básica Nº1 da Lousã

Madalena Duarte, chefe de cozinha; Foto: Rafael e Santiago do 8ºG

Madalena Duarte é chefe de cozinha, na Escola Básica Nº1 da Lousã. Tem 54 anos e nasceu no Vidual de Cima.

- Começamos por perguntar como se chama.
- O meu nome é Madalena.
- E de onde é natural?
- Nasci no Vidual de Cima.
- Há quantos anos trabalha no Agrupamento de Escolas da Lousã?
-Trabalho há 22 anos.
- Quem é que decide a ementa escolar?
- Fazem-nos chegar a ementa por um nutricionista; é aprovada pela Câmara Municipal e, depois, nós confecionamos aqui, na cozinha.
- Têm de seguir regras?
- Sim, rigorosamente.
- É muito difícil trabalhar para tanta gente?
- Não. Nós temos uma equipa muito boa, muito organizada, e fazemos com muito gosto e sem problema nenhum.

Rafael e Santiago, alunos do 8ºG

Rádio Serranitos – A toda a hora, em todo o Mundo!!!

Alunos do 4ºC em direto no Estúdio da EB1 da Lousã; Foto: Sandra Nunes

Alunos do 2º ciclo gravam o 1º Desafio para a Rádio Miúdos no estúdio na EB1 da Lousã

Foto: Sandra Nunes 


A Rádio Serranitos cresceu e já faz 3 anos! Um percurso de muitas emissões e iniciativas feitas com crescidos e miúdos.
O Agrupamento de Escolas da Lousã (AEL), a Câmara Municipal da Lousã (CML) e a Rádio Miúdos apoiaram esta aventura de fazer rádio!
Desde 2020, ano da sua fundação, tem ampliado a sua rede de ouvintes, estando a emitir online em https://rmaglousa.caster.fm/ , para todo o mundo.
A sua programação é dirigida a todas as crianças, pais e educadores.
O projeto arrancou em 2023/2024 com uma equipa de 21 alunos de 2º ciclo e Ensino Secundário e cinco docentes, que participam nas atividades Rádio Miúdos/Rádio Serranitos nos horários que lhes foram atribuídos e que constam da programação da mesma.
Esta equipa vai dar formação aos alunos do quarto ano e acompanhar a produção dos vários programas.
A Rádio Serranitos com três estúdios em funcionamento nas Escola Básica Nº1, Escola Básica Nº2 e Escola Secundária é um projeto educativo inovador que pretende implementar a rádio na escola como estratégia facilitadora para o desenvolvimento de múltiplas literacias implicada no Perfil dos Alunos à saída da escolaridade obrigatória, nomeadamente trabalhar a comunicação, a cidadania e competência na área dos media, envolvendo alunos professores e pais.
Já gravámos o primeiro Desafio para a Rádio Miúdos: “Debate Redes Sociais”!
Com um simples clique podes ouvir a Rádio Serranitos ao vivo!!!

Equipa da Rádio Serranitos

 

sexta-feira, 17 de março de 2023

PROMOÇÃO DE VALORES E PRÁTICAS ECOLÓGICAS “NÃO LIXES”



Fernando Paiva, ativista e líder do movimento cívico ambiental “Não Lixes” esteve no Auditório da Biblioteca Municipal Comendador Montenegro da Lousã, no dia 10 de janeiro, onde deu duas palestras para 150 alunos da Escola Secundária, para além das quais aceitou dar resposta à nossa entrevista.

A escolha do nome “Não Lixes” para o movimento cívico ambiental é mesmo boa onda. Um trocadilho bem sugestivo. Como surgiu?
Foi uma campanha que começou em Coimbra por causa da recolha dos carros de compras dos supermercados furtados pelos estudantes e atirados ao rio de Coimbra, aquando das festas académicas, nomeadamente a “Festa da Latada”. Foi então que um publicitário nos ajudou e fez um cartaz a dizer “Não lixes o Mondego” e eu tirei a palavra “Mondego” e fiquei só com o “Não Lixes”. Achei o nome fixe!

A ideia da criação deste projeto por si encabeçado partiu só de si ou houve alguém ou algo que o inspirou?
A inspiração vem da Mãe Natureza que é algo pelo qual estou apaixonado. Eu é que tive a ideia de começar a ser ativista para a proteger dos malefícios que alguns de nós, às vezes, trazem e que a prejudicam. Sem ela, nós não conseguimos sobreviver. Portanto, isto partiu de mim e do ensinamento dos meus pais, que me incutiram que devemos ter um respeito pela Natureza muito grande.

De onde vem o seu interesse pelo meio ambiente? Remonta à infância?
Sim, sem dúvida. Nós até criticamos os nossos pais quando, no fim de semana, dizem que vamos à serra, à praia ou ao mar, porque preferíamos ficar em casa, mas essas experiências ficam gravadas. Tudo o que fazemos na nossa infância fica gravado na memória e, quando alcançamos a idade adulta, recordamos as vivências da nossa infância que nos foram incutidas pelos nossos pais. Quando estas experiências são práticas saudáveis, mantêm-se connosco toda a nossa vida e são transmitidas por nós aos nossos filhos e à geração seguinte, o que é ótimo.

O surf é a sua paixão. Lembra-se de algum episódio marcante de agressão à “Sua Majestade”, expressão que usa para referir o mar?
Tantas…de petróleo. Cada vez que vou ao mar, faço surf e windsurf ou vou nadar e trago sempre lixo: plástico, um saco, redes de pesca, animais feridos. Eu acho que as coisas infelizmente estão a piorar, porque senão eu não vinha às escolas. Eu quero é chegar lá, ver tudo limpo e os animais felizes. Já surfei com tubarões, com golfinhos. É brutal! Já fiz windsurf, que é uma prancha com uma vela, e via um albatroz a voar ao pé de mim, a uma distância de dois metros, a planar e a ver o que é que eu era. É brutal! Quando se cria afinidade com os animais, é como com um cão ou com um gato, criamos afeto, cativamos, ficamos apaixonados e defendemos. Se estivermos sempre em casa nos computadores e nos telemóveis, bem que os animais podem estar a morrer desde que tenhamos Net…

Da experiência e do contacto que tem no terreno com o desrespeito pela natureza, na sua opinião, os adolescentes de hoje em dia já têm boas práticas ambientais interiorizadas e estarão suficientemente sensibilizados para os problemas que terão de enfrentar no futuro ou ainda têm um “longo caminho a percorrer”?
Há de tudo! Vocês têm muita informação e sabem que o planeta está a passar uma fase de emergência climática. Há uma coisa da qual era bom terem a noção, que é a diferença entre emergência e urgência. Quando se vai na estrada e se vê uma ambulância, todos os carros param e deixam-na passar. Não há carro nenhum que se ponha à frente de uma ambulância e que diga: “Espera aí. Quero que te lixes.” Não há nenhum carro a fazê-lo. As pessoas aí têm sentido cívico. Isso é uma emergência. Outra coisa é irmos à urgência do hospital porque nos dói alguma coisa, e as pessoas acham que isso é mais forte do que um veículo de emergência e não é! Nós estamos em emergência climática e os cientistas estão todos a dizer-nos que temos que reinventar a forma como vivemos e a maior parte dos jovens com quem eu falo sabe que este problema existe. No entanto, eu digo-lhes para ficarem com o seu telemóvel pré-histórico e não trocarem de telemóvel todos os anos e eles dizem: “Não, este tem altas câmaras e faz outras coisas e eu quero estar ligado.” Estão a perceber? Cada um de nós é que tem que adaptar o seu estilo de vida para consumir menos coisas e produzir menos lixo e menos emissões de gases de efeito de estufa. Vendi o meu carro, ando de bicicleta. Entendem? Têm que abdicar de coisas, senão não vale a pena terem filhos. Vamos pôr aqui um miúdo e dizer o quê? “Olha eu sabia que o planeta estava a explodir, mas queria com a tua mãe ter uma criança”. Cada um de nós tem que fazer o trabalho de casa. Isso é que é o importante!

Como avalia o impacto do seu movimento?
Essa é uma questão delicada! Em Coimbra o impacto tem lados positivos e negativos. O lado positivo é: há dez anos que andamos a impedir que o lixo chegue ao rio, há dez anos que, tendo sido criado aquele parque, junto ao rio Mondego, os carros de compras não são despejados no rio, portanto o impacto aí é positivo. Agora, também fico aquém das minhas expectativas. Eu gostava de, como ativista, não precisar de fazer certas coisas durante tantos anos e vir a Coimbra, uma vez que atualmente vivo na Barra, na praia. Anseio não precisar de ir tantos anos consecutivos a Coimbra dizer aos estudantes que não se deve atirar lixo para o rio.

Portanto, há pontos positivos, assim como também há pontos menos bons. Quanto aos menos bons, nós tentamos que eles se tornem melhores nos anos seguintes. Vamos ver!
Considera que o seu movimento motiva muitos jovens a participar nestas ações? Que apelo lhes faz?
Se tenho muitos jovens nas minhas ações, isso é resposta que terá que ser dada por vocês quando assistem às palestras. Depois de uma palestra, se alguns de vocês se sentirem motivados para defender a natureza, a resposta é sim, considero que há jovens que ficam motivados. O apelo é lutarem por um planeta sustentável para que tenham um futuro risonho. Por exemplo, houve uma notícia a nível mundial que foi ótima. Foi sobre energia nos Estados Unidos onde cientistas descobriram a fusão nuclear e conseguiram quase que duplicar a quantidade de energia no início da reação. Isto, depois vão estudar em química e em física mais tarde. Portanto, há notícias motivadoras que devem encorajar a nova geração, que são vocês, a lutar por energias limpas que ajudem o planeta a continuar a ser sustentável tanto para a nossa espécie como para as outras espécies. Assim, estarão a lutar por uma família e por um ambiente melhor e isso é o que interessa.

Já alguma vez fez alguma intervenção na Lousã? Em que situação, por exemplo?
Limpei os arredores da escola, onde os vossos colegas atiram cigarros para o chão, restos de produtos descartáveis que compram nas máquinas de venda, por exemplo, refrigerantes e deitam as latas para o chão à volta da escola. Nós apanhamos na altura imenso lixo.
Vocês, que andam na escola, vêem os vossos colegas a atirar lixo para o chão e não querem saber.

Quando foi?
Foi na primeira vez que vim cá, à Lousã. Já não me lembro bem. Já faço isto há dez anos. A ‌‌‌minha memória não dá para tanto.

O que diferencia este movimento de outros movimentos ambientais?
Boa pergunta! Foi a primeira vez na vida que me fizeram esta pergunta em dez anos de ativismo. Estou muito contente por a terem feito. É uma coisa muito simples. Eu não sou apoiado momentaneamente por nenhuma empresa, nem nenhuma entidade, nem por ninguém. Eu faço isto mesmo por amor à causa comum e à defesa da Mãe Natureza. Eu não recebo qualquer tipo de incentivo para fazer isto, eu não me valho do ambiente para ganhar dinheiro. Sou treinador de surf e isso é o suficiente para eu fazer face aos meus custos.

O que aprendeu de novo desde a criação do movimento “Não Lixes”?
Que as pessoas com boa alma e juntas conseguem mudar o mundo se quiserem.

As pessoas são ou não são cegas ao nível de poluição em Portugal? Têm comportamento de avestruz?
Nós somos um bom povo. Adoro Portugal, adoro o nosso país. O problema não está nas pessoas, o problema está nos governantes que não fazem a aplicação de multas. Por exemplo, vai-se até à Alemanha, arranja-se uma namorada e quer-se ir para lá viver. Se atirarmos lixo para o chão, temos logo um polícia que vem ter connosco. Levamos uma multa de cinquenta euros. Não temos connosco os cinquenta euros, quando chegarmos a casa, já será uma multa de cem euros. Também não temos cem euros em casa? Vamos ter que limpar aquela rua toda durante um mês. Aqui em Portugal não. Aqui atiramos lixo ao chão e não acontece nada, mas existem as leis. Têm que ir ao bolso das pessoas. Tem que ser isto com a indústria, com pessoas que não separam o lixo, contra carros que estão a trabalhar desnecessariamente. Por exemplo, lá fora, não podemos ter um carro a trabalhar para ter o ar condicionado ligado se não estivermos a andar, pois a polícia vai ter connosco e diz-nos: “Então o carro está a trabalhar porquê?” e à resposta: “Ah, porque estou à espera da minha filha que vai sair agora da escola e quero que esteja no quentinho”, levamos uma multa e pagamos. Passou a mensagem? Tem que se pagar, tem que sair do bolso.

Como ativista, esta sua estratégia é a melhor para reciclar consciências. Todos o poderiam ser um pouco. O que lhes falta?
Falta utilizarmos a melhor arma que o planeta Terra conhece para mudar as pessoas e que se chama dinheiro. Se eu vir uma pessoa que atira lixo para o chão e houver um polícia que a multa diretamente, ela vai deixar de o fazer. A mesma coisa acontece na autoestrada. Dou sempre este exemplo. Eu posso pôr cartazes na autoestrada a dizer assim: “Andem devagar por causa do ambiente, por causa das abelhas” e os condutores não querem saber desse cartaz para nada. Se eu meter outro cartaz a dizer assim: “Cuidado, estão radares e estão carros descaracterizados da brigada de trânsito” e isso vai dar pontos na carta e vão parar multas a casa, aí as pessoas começam todas a andar devagar. O mesmo se deve passar com as questões ambientais, pois temos de multar as pessoas infratoras, sejam empresas que atiram detritos para o rio de forma indiscriminada, por exemplo, as pecuárias que atiram muita água suja, sejam pessoas que atiram lixo para o chão ou que não separam o lixo. Quando começarmos a multar pessoas que não fazem bem, elas passam logo a agir bem porque todas elas se interessam pela quantidade de dinheiro que têm.

Sim. Existe legislação nesse sentido, no entanto esta fica no papel, as normas não são cumpridas, há falta de supervisão. Se houver controle, há inimizades. Acabamos por ter uma pescadinha de rabo na boca e enquanto as pessoas não tomarem uma atitude diferente as coisas não vão melhorar. Temos que ter esperança e sobretudo agir porque se não agirmos não vamos ter resultados, não vamos lá chegar. Para tudo são precisas ações. Partilha desta opinião?
Tal e qual. Agora vou dar uma dica a si, professora, e à sua excelente turma de alunos que colocaram questões muito inteligentes e muito pertinentes e que é esta: quando falo com o poder local, sejam presidentes de câmara, sejam ministros, coloco sempre o enfoque numa força que nós temos que está parada, paga por todos nós, que nos podia ajudar a fazer esse controle e que se chama exército. Nós passamos há pouco uma fase muito complicada, a da Pandemia, e o exército foi importante para que as coisas corressem bem. É uma força que está muito treinada e muito disciplinada. Se nós utilizássemos o exército, que graças a Deus não está em guerra, pelo menos uma parte dele, pois só as forças especiais podem ter uma missão ou outra, para ajudar a GNR, a brigada ambiental, a Polícia de Segurança Pública, as Polícias Municipais, tudo seria mais fácil, no meu ponto de vista.

Temos tantos recursos humanos disponíveis que não são devidamente canalizados e aproveitados em prol daquilo que viria a resolver muitas das situações. Deveriam ser transferidas competências para onde há capacidade para o fazer. Este é, para si, ponto assente, certo?
Claramente. Parabéns aos seus alunos. Foi um gosto muito grande ter ido ao vosso encontro e ter participado nesta entrevista. Quando quiserem ir dar um mergulho à “Sua Majestade, o mar”, venham que eu terei todo o gosto. Deixo aqui o meu convite. E lembrem-se que o amor vence sempre.

Fernando Paiva, ficamos muito agradados e estamos muito agradecidos por este momento tão especial que nos concedeu.

Esta atividade foi desenvolvida pela turma do 11ºA na disciplina de Português para integrar o tema “Sonhar com um Mundo Melhor” no âmbito do projeto Cidadania e Desenvolvimento.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

The Voice of Teenagers



The importance of the voice of teenagers in the world today.

(a dialogue between two friends)

F: Hey, M., look at this news article. It’s a report that shows that in 2022 more than six thousand children were killed or injured in the USA because of school shootings. This is the highest number recorded in a single year since they started these reports, that is, since 2014.

M: Seriously? This is really bad! You know, the other day I saw a news article about teen campaigns against the easy access to weapons.

F: Yeah, I heard that school shootings are very common in the USA, and this has provoked several teen campaigns against the easy access to weapons.

M: Apparently no one listened to these teenagers, and this is the result. It’s always the same thing. Why don't adults ever listen to young people?

F: I know. I’ve heard so many times news about bad things that could have been avoided if others had listened to teenagers. Adults think that just because they are older, they know more, and have the habit of not listening to the opinion of the younger ones. They think that just because we are younger, we don’t know much about the real world.

M: True… it’s not fair though. Firstly, because since they are older, they are supposed to know that they should listen to other people’s opinion and they should set an example for us; secondly, because we DO know a lot about the real world and we care about what is going on in the world. After all, we are the ones who are going to live here and it’s not fair not to let us give our opinion about the place we are going to manage one day. Besides, teenagers have a lot of energy and creativity to show their ideas and find a solution.

F: Plus, we have a vision for global problems. Okay, yes, the older ones deal with important problems but they, by themselves, aren’t always able to think about the difficulties that are currently being talked about daily like climate change, the lack of freedom and rights in some parts of the world, mental issues, sexuality, and the fact that they don’t involve teenagers in issues that are important to them and that they want to get involved in, among many others.

M: I totally agree. Maybe they don’t do it because they don’t have much contact with these issues or because they are not used to reflecting about them from the younger generation’s point of view. Or maybe these topics are not important enough to be defended. If you think about it, some of these problems, and many more, just started to be discussed after teenagers began to express themselves about them. Before people didn’t talk about them. And even now, although there are some adults who also speak out on these issues, it is the adolescents who make them continue to pay attention.

F: I had never thought about that before. You know, actually there is something else that they don’t think about either. Being active is also a good thing for us. For example, it develops our critical thinking as we want to defend our ideas and justify them, it allows us to be well informed too, and by listening to the opinions of others, it can also change our way of thinking. In the process we become more tolerant. As we have to make ourselves heard and find solutions, it develops our creativity and persistence and prepares us for our future. Besides, it makes us aware of and observant about what is going on around us.

M: You are right. Good point! You know, I remember a school assignment that I did about Ridhima Pandey. With 10 years old, Ridhima, Greta and other children presented a complaint to the United Nations Committee against several countries, accusing them of violating the Rights of the Child by not approaching the climate crisis appropriately. I don’t know what happened next but I hope that this has made them deal with this problem as it should be.

F: I know that there are many teenagers who want to make a difference but it’s hard because they don’t have access to do it or are not used to doing it. I think adults should help them in this aspect. Teenagers have hopes and dreams for the future. We are optimistic and we have ambitions to improve the world. We should not be despised nor disregarded for believing that we can make a difference and instead of ignoring us, asking us to stop and presenting obstacles, they should value us, support us and help us. They shouldn’t look at us just based on our age. Many of us are mature and intelligent beyond our years.

M: The other day I saw a post of a teenager that said she hated being 16 because people didn’t take her seriously because of her age and she was higly criticised for the comment, saying that she was complaining and throwing a tantrum just like all teenagers. But if teenagers are all complaining about it, doesn’t it say something about how they don’t let us participate nor give us opportunities to make changes?

F: And the reactions show that she is right. Instead of talking about it, they attacked her just because of her age. How do they want us to be the leaders of the world and take it forward if they don’t listen to our ideas? How do they want us to do something in the future if they don’t let us now? If we do as they want and don’t give our opinion, we won’t be used to doing it in the future. Let alone do it the right way!

M: When adults don’t listen to us, they miss an opportunity to build a better future and understand us. Okay, we are not always right and there are a lot of teenagers who don’t take anything seriously and don’t care at all but not everyone is like that. When that happens, they should teach us and try to change our perspective.

F: I couldn’t agree more. Teenagers have always done amazing things and could do more if they allowed us. You know, there is a lot more we could say. We could spend hours talking about this…

M: No doubt…I really believe young people can be inspiring.


by Francisca and Mariana

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Bolos e Pastéis

 ENTREVISTA

Há mais de 30 anos que Eugénia é pasteleira na pastelaria São Silvestre. Já preparou de tudo: desde natas a bolos de casamento e gosta muito do que faz.

Quando surgiu o seu interesse pela pastelaria?
Sempre gostei muito. Apesar de sempre ter trabalhado numa pastelaria, não trabalhei logo nisso. Comecei por ser empregada de limpeza e, de vez em quando, ajudava no balcão. Eventualmente, acabei por chegar onde estou hoje.

Qual é a formação necessária para se ser pasteleiro?
No início, não foi preciso nenhuma, mas tive de fazer um curso de “Segurança e higiene no trabalho”, outro de “Higiene na alimentação” e fiz um de decoração com massa de açúcar, após seis anos de ter começado a minha carreira. Hoje em dia, há cursos disponíveis que as pessoas podem fazer antes de começarem a trabalhar.

Que materiais costumam ser necessários?
Para fazer os bolos e os pastéis são sempre necessários ovos, farinha, açúcar, melhorantes, como fermento e manteiga, mas, muitas vezes, usamos outros ingredientes. Para fazer a massa usamos batedeiras e para amassá-la utilizamos as mãos, que são sempre higienizadas antes, e rolos de massa. Às vezes, são precisas formas, e utilizamos também balanças, espátulas, facas e fornos, claro.

Qual foi o maior trabalho que já fez?
Talvez um bolo de casamento. Atualmente, já não os fazemos, mas gostava muito de os fazer.

Quais são as suas maiores dificuldades?
Provavelmente, gerir o tempo quando temos encomendas grandes. Por mais difícil que seja, tentamos acabar tudo dentro do prazo.

Sei que há muitas pessoas que confundem pastelaria com confeitaria. Pode indicar algumas diferenças?
Vamos lá: a confeitaria prepara confeites, que são feitos com muito açúcar, como as amêndoas de chocolate; já a pastelaria é o nome que se dá a vários produtos de panificação, onde se mexe com massas de farinha, por exemplo.

Beatriz Costa, aluna do 8ºB

O problema das plantas invasoras

Entrevista





Um dos grandes problemas que afetam o nosso país é a proliferação de plantas invasoras.
As plantas que são naturais de uma região, há muitos milhares de anos, chamam-se nativas ou autóctones. Por outro lado, muitas das plantas que nos rodeiam foram transportadas do seu habitat natural para outros locais, pelo que são chamadas plantas exóticas. Destas, algumas coexistem com as plantas nativas de forma equilibrada, mas outras desenvolvem-se muito rapidamente e de forma descontrolada, tornando-se aquilo a que se chama “planta invasora”.

Quais são as plantas invasoras que existem na zona da Lousã?
São as mimosas, sem sombra de dúvida, também conhecidas por acácias. Mas muitas outras estão presentes, como a tintureira, o espanta-lobos, a erva-da-fortuna e, mais recentemente, a erva-das-pampas ou penachos, que já se começam a ver em grande quantidade nas bermas da via-rápida entre a Lousã e Miranda do Corvo. Outra de que me estou a lembrar, e é muito recente, é uma planta aquática chamada elódea-densa, que está a surgir no rio Ceira.

Quais são as plantas nativas daqui da zona que estão a ser afetadas pela existência de plantas invasoras?
Todas as plantas nativas são afetadas. Por exemplo, plantas como o azevinho e o azereiro quase já nem se encontram aqui pela serra.

Como é que as plantas invasoras chegaram cá?
A grande maioria foi introduzida por ação humana, como planta ornamental. No caso da elódea-densa (aquática), pode ter surgido a partir de aquários ornamentais, daqueles que as pessoas têm em casa, por exemplo.

Por que razão as plantas invasoras são tão problemáticas?
As plantas invasoras causam grandes prejuízos ambientais e económicos. Prejuízos ambientais porque não deixam que as espécies nativas se desenvolvam, e estas podem acabar por desaparecer. Prejuízos económicos porque, para as remover, é necessário gastar muito dinheiro em mão de obra, combustível e equipamentos.

O que podemos fazer para evitar que estas plantas se espalhem?
É muito difícil evitar que estas plantas se espalhem, a única forma eficaz é detetar a sua presença quando ainda há poucas. Por exemplo, no caso das mimosas é praticamente impossível evitar que se espalhem, mas a erva-das-pampas, que está a começar a aparecer aqui na Lousã, ainda é possível localizá-las e ir arrancá-las, ou pelo menos cortar as plumas no período entre agosto e outubro, de modo a evitar que as sementes se espalhem. Uma única pluma pode ter milhares de sementes.

Acha bem as pessoas terem nos seus jardins ou terrenos plantas invasoras como decoração?
Não acho nada bem, pelo contrário. Acho que quem tem plantas invasoras as deve arrancar e destruir o mais rapidamente possível, de modo a evitar males maiores. E pensando no caso particular da erva-das-pampas, também não as devem utilizar na decoração de interiores, como se vê muitas vezes, em jarras, em eventos festivos e até à venda em floristas.


Mariana Moreira, aluna do 8ºA, em entrevista à Encarregada de Educação Teresa Brandão

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